22 de Março - Dia Mundial da Água
O corpo humano é constituído por 70 a 75% de água. E a superfície da Terra é composta por, pelo menos, 70% dela. Impossível imaginar o planeta azul sem esse recurso natural.
Nós, brasileiros, somos privilegiados: temos 12% da água doce superficial de todo o planeta. Mas, acredite, uma hora ela pode acabar.
Hoje, uma em cada oito pessoas no mundo não tema cesso à água limpa. em 15 anos, 1,8 bilhão de indivíduos viverá em regiões com grave escassez de água. É preocupante, é ameaçador.
Esticar o banho alguns minutos; insistir em usar a mangueira para lavar a calçada; não consertar vazamentos... Nesses momentos, pense na saúde do planeta, que é a nossa casa e a de nossos filhos. Não importa se o vizinho é ou não cuidadoso como você, aos poucos todos precisarão mudar seus hábitos. Se ainda não começões, comece agora, afinal março é o mês em que se comemora o Dia Mundial da Água. Menos consumo, mais água, mais vida: cuidar desse bem tão precioso é dever de todos nós.
Urbanista aponta aspectos para melhor gestão da água nas cidades
Nabil Bonduki alerta sobre a necessidade de mudar a postura e trocar o modelo vigente.
Até o fim de 2011, seremos 7 bilhões de habitantes na Terra, estima a Organização das Nações Unidas (ONU). O aumento populacional é um fator de atenção para os municípios, que se deparam com inúmeros desafios de infraestrutura para atender cada dia mais gente. Um dos principais é a gestão dos recursos hídricos, tema da campanha do Dia Mundial da Água 2011 – Água para as Cidades: respondendo ao desafio urbano. A iniciativa convida poder público, organizações, comunidades e indivíduos a participar ativamente da solução das questões relacionadas ao tema.
Em entrevista, Nabil Bonduki, arquiteto, mestre e doutor em estruturas ambientais urbanas, lista os três principais problemas ligados à urbanização e à gestão dos recursos hídricos, intensificados pela concentração de pessoas. Um deles é impermeabilização do solo, causada pelos calçamentos, edificações e asfaltamento de ruas. O efeito é o aumento de enxurradas em dias de chuvas fortes, pois, por não ser absorvida, a água chega aos rios em quantidades que excedem a capacidade natural de escoamento. "Muitos fundos de vale são hoje ocupados por moradias populares, e isso prejudica ainda mais a vazão das águas", complementa.
Sem penetrar na terra, a água também não chega aos lençóis freáticos, afetando o abastecimento das bacias hidrográficas. "As construções subterrâneas, como garagens e túneis, são um agravante e interferem no percurso das águas no subsolo", explica. O último desafio, lista Bonduki, é a contaminação da água pela falta de coleta e de tratamento dos resíduos sólidos.
Mudando a postura, trocando o modelo
Segundo o arquiteto, é necessário formular novos mecanismos de manejo das águas. "É preciso ter consciência de que o modelo urbano atual não está dando conta, e isso afeta diretamente a sociedade. Ainda existem pessoas que defendem a canalização de córregos para construir avenidas e nós precisamos evitar a continuidade desse padrão", analisa. Para isso, ele aponta algumas sugestões:
Armazenamento e reuso da água
Essa é uma alternativa aos piscinões, que têm alto custo de manutenção e demandam grandes áreas para construção. "Criar um sistema que coleta uma ou duas horas de chuva nas casas retarda a chegada da água aos rios e córregos. Retida dentro de caixas, pode ser canalizada para atividades que não necessitam de potabilidade, como descargas de banheiros e rega de jardins", explica. É importante a participação e o interesse dos cidadãos, que podem ser guiados por ações coordenadas pelo poder público.
Descarte adequado de resíduos
O lixo continua sendo um problema. É necessário destiná-lo ao local adequado, evitando que cheguem nos cursos dos rios, entupam bueiros, dificultem ainda mais a vazão da água e, eventualmente, promovam contaminação. "É um trabalho conjunto, as pessoas devem separar os resíduos, mas precisam saber e ter para onde encaminhá-los", comenta.
Banheiros secos
O tratamento do esgoto dentro do lote das residências é uma alternativa simples e eficiente de saneamento, especialmente na zona rural, em cidades com menos de 4 mil habitantes. O banheiro seco não produz maus odores e não consome água para levar os dejetos até centros de tratamento ou diretamente aos rios. Basicamente, são duas câmaras que armazenam os resíduos separados até que se transformem em composto, usado, posteriormente, como adubo. "Temos a cultura dos grandes reservatórios, das grandes obras. Podemos adotar intervenções menores, por meio de mutirões, é mais barato e eficaz", acrescenta o arquiteto.
Uso racional da água
Outra questão é o desperdício. Muita água é perdida nos sistemas de abastecimento, em vazamentos e linhas clandestinas. "Os próprios consumidores esbanjam: banhos demorados, descargas desreguladas, esguicho de água para varrer a calçada. Não pode. Se tivesse carência de água, a atitude seria outra. Não vamos esperar chegar a esse ponto, como já ocorre em outros países", alerta.
Há muitos aspectos relacionados à água e às cidades, como abastecimento, destino, enchentes, fundos de vale, mananciais, contaminação. Essas são apenas algumas alternativas para mudarmos a postura, trocarmos o modelo. "Para que a sociedade participe do movimento é necessário divulgar, difundir e implantar efetivamente um sistema de sustentabilidade. Vamos buscar maneiras de viver diferente", finaliza.
Fonte: Senac São Paulo